sábado, 30 de março de 2024

A Irmã do Sonho, na Biblioteca Pública de Évora

Os livros, que sempre foram refúgio e paraíso, âncora e asa, são também, na minha vida, criadores de espaço de partilha, abridores de portas e janelas; uma mistura de floresta, abracadabra, alakazam e abraço quente.

Na última terça-feira, enquanto eu apresentava o livro "A Irmã do Sonho", na Biblioteca Pública de Évora, mais um universo se abriu:

"Você sabia que a Florbela frequentou a nossa biblioteca? Naquela época os leitores não podiam levar os livros para a casa, mas preenchiam fichas nas quais anotavam os títulos lidos. Temos todos esses registros. E temos também, no nosso arquivo, manuscritos originais de alguns dos poemas da Florbela e também algumas cartas escritas por ela. Há também algumas fotografias da poetisa. Os objetos são fruto de uma doação feita ao acervo da biblioteca e não temos certeza de quem nos ofereceu."

Senti minha pele alargar-se, porosa, enquanto ouvia as palavras da Zélia, a diretora da biblioteca. Agigantada pela alegria, respondi em um quase sussurro, contendo a voz no pulsar acelerado do coração: "Eu quero ver. Posso?"

E foi assim que, depois da apresentação, encaminhamos-nos ao arquivo da Biblioteca Pública, onde encontramos outras relíquias, como pergaminhos e livros com mais de 800 anos, além do acervo de Florbela.

Registrei alguns dos tesouros Florbelianos nas imagens que compartilho agora. Sou grata pelos encontros e pelos caminhos que os livros me oferecem. Sou feliz com a vida que, ao ser escolhida, me acolheu.










Agradeço também a Susana, a Helena, a Ágatha, e a Editora Pantograf, que me convidaram para participar do trabalho. A Katia Gilaberte e o Consulado Geral do Brasil em Faro, que colaboram com os trabalhos que fazemos a partir da história da Florence e da Isabela, e de tantos outros bons livros, pelas cidades de Portugal.


domingo, 24 de março de 2024

 dar ao tempo, que é vôo e sacríficio, o meu maio tesouro: tempo. a imensidão de cada fagulha provocada pelo sopro, a breve e lenta capacidade de res.pi.rar. ser sábia e saborosa para sobrevoar a impermanência. flanar sobre o deserto, em levezas delirantes. só, à sombra do eu-oásis. passageira e caminhante. só.

segunda-feira, 13 de novembro de 2023

Saltar em direção ao vazio é incrivelmente fácil para quem conhece a sensação de desamparo. Somos habitados pelo conhecimento empírico de que, vasto, amplo e por vezes flutuante, o vazio existe também porque é nominado, quase palpável . Diferente do desamparo, que apreende sem sucesso o inexistente, o vazio está ao alcance dos olhos. O vazio é um lugar.

domingo, 29 de outubro de 2023



É domingo e recebi um poema.
Um pequeno embrulho encarnado, feito de saudade e outras palavras que também podem doer.

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Porque veio sustentada e espetada por um arame, a gérbera semanal havia vivido menos do que a que eu trouxe levemente cambaleante, sem suporte, na semana anterior. A terceira gérbera, vermelha, sorriu em fúria movente e, desvencilhada, prolongou os dias de beleza viva.

 
Há grandezas que só o olhar delicado apreende. Na natureza externa existe algo que comunica diretamente com o natural de dentro, o lugar inverbalizável da sensação. Sinto a liberdade na flor liberta. A amizade na solidão florescida me ensinou voar.

quarta-feira, 25 de outubro de 2023


pela janela
observo
os planos e acordos
escolhas

a pele marcada

frutos
e o eterno

: tudo aquilo
que não sou eu

terça-feira, 24 de outubro de 2023

A Irmã do Sonho, na Biblioteca Pública de Évora

Os livros, que sempre foram refúgio e paraíso, âncora e asa, são também, na minha vida, criadores de espaço de partilha, abridores de portas...