Os livros, que sempre foram refúgio e paraíso, âncora e asa, são também, na minha vida, criadores de espaço de partilha, abridores de portas e janelas; uma mistura de floresta, abracadabra, alakazam e abraço quente.
Na última terça-feira, enquanto eu apresentava o livro "A Irmã do Sonho", na Biblioteca Pública de Évora, mais um universo se abriu:
"Você sabia que a Florbela frequentou a nossa biblioteca? Naquela época os leitores não podiam levar os livros para a casa, mas preenchiam fichas nas quais anotavam os títulos lidos. Temos todos esses registros. E temos também, no nosso arquivo, manuscritos originais de alguns dos poemas da Florbela e também algumas cartas escritas por ela. Há também algumas fotografias da poetisa. Os objetos são fruto de uma doação feita ao acervo da biblioteca e não temos certeza de quem nos ofereceu."
Senti minha pele alargar-se, porosa, enquanto ouvia as palavras da Zélia, a diretora da biblioteca. Agigantada pela alegria, respondi em um quase sussurro, contendo a voz no pulsar acelerado do coração: "Eu quero ver. Posso?"
E foi assim que, depois da apresentação, encaminhamos-nos ao arquivo da Biblioteca Pública, onde encontramos outras relíquias, como pergaminhos e livros com mais de 800 anos, além do acervo de Florbela.
Registrei alguns dos tesouros Florbelianos nas imagens que compartilho agora. Sou grata pelos encontros e pelos caminhos que os livros me oferecem. Sou feliz com a vida que, ao ser escolhida, me acolheu.
Agradeço também a Susana, a Helena, a Ágatha, e a Editora Pantograf, que me convidaram para participar do trabalho. A Katia Gilaberte e o Consulado Geral do Brasil em Faro, que colaboram com os trabalhos que fazemos a partir da história da Florence e da Isabela, e de tantos outros bons livros, pelas cidades de Portugal.





